Durante quatro dias (25 a 28 de Outubro de 2012), a Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá, juntou-se a 31 outras confissões religiosas, oficialmente presentes em Portugal, em 12 Casas na Aldeia das Religiões, em Priscos, Braga. Com decoração eminentemente africana e afro-brasileira  — tambores rituais, agôgô, estátuas dos Òrìsàs, panos africanos, tabuleiro de búzios, e música ambiente sacro-yorùbá — a Casa da CPCY foi visitada por mais de 500 pessoas, que vinham curiosas e saiam fascinadas com a tradição do Candomblé, sempre explicada por alguém da CPCY. Danças e toques estiveram ainda presentes, fornecendo um colorido afro-brasileiro ao evento. Para além da exposição de arte sacra e das explicações permanentes em formato de visita simbólica pela história do Candomblé, a CPCY esteve junto do público com três palestras: uma em torno em torno do livro Candomblé em Português (o único livro publicado em Portugal sobre o Candomblé, cuja segunda edição está para breve), uma outra sobre a religião no seu essencial, interagindo com os presentes e suas variadas questões, e finalmente a terceira com enfoque no Diálogo Inter-religioso (cujo conteúdo iremos publicar brevemente).

A CPCY procurou sempre colocar a tónica em torno de ideias como respeito, mútuo conhecimento e diferença, como denota o vídeo abaixo, da reportagem televisiva (uma entre várias),

E a peça do jornal ‘Público’:

«Diálogo pela diferença

A fé nascida no Brasil a partir das tradições dos escravos africanos levados para a América durante a colonização chegou a Portugal nos anos 80 do século passado, explica João Ferreira Dias, um jovem crente, que enverga uma túnica verde. É filho de uma sacerdotisa. “O diálogo inter-religioso constrói-se acima de tudo pela diferença, não pela igualdade. Não podemos pensar as religiões como todas iguais, porque nem todas falam de Deus, por exemplo”, defende. Espera, por isso, que a Aldeia das Religiões seja de “diálogo na diferença” e não de tolerância. “Esse conceito pressupõe uma superioridade”, explica.»

A CPCY congratula-se pelo ambiente de inter-religiosidade vivido durante os dias do evento, em que pessoas de diferentes confissões religiosas comeram à mesma mesa e aprenderam sobre a fé do “outro”. Numa iniciativa do Padre João Torres, um homem que sempre tem a palavra “irmão” para com o fiel de outra religião, e que em cada palavra da sua palestra denotou um espírito reformador; a ele a CPCY agradece o convite, o convívio, a amizade, o acolhimento, renovando os sinceros parabéns pela coragem e iniciativa.

Desejamos que o espírito fundacional da Aldeia das Religiões se mantenha vivo e que se leve daqui adiante o propósito não da tolerância mas do respeito e do convívio. A CPCY jamais poderia ter faltado ao chamado, acolhendo sempre quem nos procurou e procura com as mais variadas questões sobre o Candomblé. A todos um obrigado pelo interesse que faz do conhecimento a maior arma contra o ódio.