O Ciclo Yorùbá e de Todas as Áfricas representou um momento importante na reflexão em torno das identidades africanas e na história da presença africana em Portugal. Realizado na Universidade Lusófona, em Lisboa, o evento fez do sábado de Carnaval um dia interior dedicado a África, com a exposição “Os Africanos em Portugal: História e Memória – Séculos XV a XXI” do comité português do projeto “Rota dos Escravos” da UNESCO, com a exposição fotográfica “«Povo-de-santo», um olhar sobre os Orixás de Portugal” de Carlos Muralhas, cujas fotografias foram captadas na CPCY, até ao colóquio “O que é religião em África? Identidade, Pertença e Prática Ritual” com inúmeros especialistas do tema sem esquecer a apresentação do livro Candomblé em Português, editado pela CPCY e que já se encontra disponível para encomendas e uma mostra de capoeira cheia de alma africana com o grupo “Vidarte”.

De entre os vários momentos de um dia dedicado a África, importa destacar a assinatura do protocolo entre a Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá (CPCY) e a Universidade Lusófona, em particular a sua Área de Ciência das Religiões. Trata-se simultaneamente do reconhecimento do Candomblé como uma religião dotada de expressividade mitológica, ritual e simbólica que merece o maior interesse científico, e do reconhecimento da CPCY como entidade portadora não apenas da representação oficial do Candomblé e da Religião Yorùbá em Portugal, como legalmente atesta o governo português em sede de Ministério da Justiça, mas também como entidade produtora de conteúdos de interesse académico, científico e cultural. O momento está pois registado em fotografias nas quais temos o Diretor da Ciência das Religiões, Professor Dr. Paulo Mendes Pinto e a Presidente e Ìyálóòrìsà da CPCY, a Olorí Yèyé Sussu.

Entre os vários itens constantes do protocolo destacam-se a co-organização de cursos livres e outros tipos de formação sobre as religiões afro-brasileiras e Yorùbá bem como um estatuto particular para membros da CPCY no acesso à formação em Ciência das Religiões.